quarta-feira, 21 de julho de 2010

Descaso com a saúde no município de Wanderley, por Aderlan Messias

DESCASO COM A SAÚDE NO MUNICÍPIO DE WANDERLEY

 



Descaso, irresponsabilidade, inércia, covardia, falta de liderança, preguiça, incompetência. É assim que se encontra a saúde do município de Wanderley. Hoje (sábado, 03 de abril de 2010), deparei-me com mais uma cena triste em que uma paciente, “minha prima”, necessitava com URGÊNCIA de uma ambulância para ser levada ao Hospital do Oeste, em Barreiras, já que aquele não tem condições mínimas de realizar exames em um paciente. Ao questionar uma funcionária da saúde o porquê de ter que levá-la a Barreiras, educadamente, explicou o que já previa: “Não há aparelhagem aqui!!!” Inconformado, fiz outra pergunta, e a resposta foi: “Aqui falta tudo!!!” Como podemos aceitar calado uma descaso desse!!!

Certamente que a falta de cuidado com a saúde municipal fere frontalmente o art. 37, da Carta Superior, que traz como princípios básicos da administração a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade e a eficiência. Por outro vértice, tem-se que ter em mente que o administrador, eleito pelo povo, deve trabalhar com vistas a supremacia do interesse público, velando pela probidade, que parece ser violentada com a situação em tela.

Segundo avaliação do médico, que pouco podia fazer naquele contexto, apontava que ela apresentava fortes dores por todo o corpo, gemidos, febre alta, e com sintomas de meningite. E sabe qual foi a maior? A paciente teve que esperar por mais de uma hora localizar o motorista da ambulância, que não foi localizado. Até que um senhor se prontificou a dirigi-lo, não sabendo as reais condições dessa. Outra: teve que esperar abastecer o veículo. Nesse sentido, vê-se que o paciente, independente da situação, correndo risco de morte ou não, tem que esperar, esperar e esperar, contando apenas com a intervenção Divina.

Confiando mais uma vez na sorte, teve a paciente que, no meio do caminho, e sob forte chuva, ser removida para outra ambulância do município que passava no momento (com 38 mil km rodada e sem ter feito nenhuma revisão), no entanto, era melhor que a anterior, uma vez que os problemas eram visíveis: janela quebrada, faróis comprometidos (rachados), o que dessa forma colocava em risco a vida da paciente e dos demais.

Ao chegar no Hospital do Oeste, o médico e a enfermeira que a atenderam ficaram abismados com a situação, pois pelo encaminhamento do médico todos deveriam usar máscaras e a paciente deveria vir acompanhada, no mínimo, de uma enfermeira, já que a suspeita era de meningite (hipótese descartada, de imediato, pelo médico do HO de Barreiras). O Estado que deveria trabalhar de forma a proteger o indivíduo, foi o mesmo que, com falta de eficiência expôs a cidadã a perigo.

É dessa forma que são tratados os pacientes em Wanderley: com descaso e desrespeito. Quem não lembra do ocorrido recentemente com uma jovem (que por sinal é minha melhor amiga) que precisava passar por uma cirurgia e que no hospital não tinha anestesia? Em poucos minutos tal notícia correu pela cidade deixando os moradores assustados e revoltados com a situação. Com a sabedoria do médico que estava ali naquele dia e com o medicamento que veio de Barreiras a tempo, trazido pela família, a paciente “minha amiga” foi salva. O comentário é que o médico operaria sem anestesia, pois era preferível fazer algo a deixar morrer por negligência.

Dessa forma, o que se vê é que a saúde de Wanderley, nestes últimos anos, tem sido um caos que parece ter se tornado uma rotina na vida dos wanderleenses. O descaso e a falta de responsabilidade para com a população têm deixado muitas pessoas preocupadas, pois vivemos diante de uma realidade em que não se aprende com os piores erros. Ao contrário, insiste em repeti-los como se a conta por isso jamais fosse cobrada.

Matéria publicada no Jornal do São Francisco em 18 de abril de 2010.

decodetroia@hotmail.com

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