terça-feira, 4 de março de 2014

Resenha crítica do livro Coesão e coerência textuais, por Edivânia


INSTITUTO AVANÇADO DE ENSINO SUPERIOR DE BARREIRAS – IAESB

FACULDADE SÃO FRANCISCO DE BARREIRAS – FASB

CURSO DE AGRONOMIA

 

 

EDIVÂNIA ALVES DE SOUZA

 

 

 

 

RESENHA CRÍTICA DA OBRA “COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAIS”, DE LEONOR LOPES FÁVERO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BARREIRAS

2013




EDIVÂNIA ALVES DE SOUZA

 

 

 

 

 

 

RESENHA CRÍTICA DA OBRA “COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAIS”, DE LEONOR LOPES FÁVERO

 

 

 

Resenha crítica apresentada ao Curso de Agronomia da Faculdade São Francisco de Barreiras – FASB, como requisito parcial de avaliação da disciplina Língua Portuguesa.

Orientador: Professor Especialista Aderlan Messias Oliveira

                    

 

 

 

 

 

 

 

BARREIRAS

2013
 
 
 

FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e Coerência Textuais. 9 ª edição. São Paulo: Ática, 2003

 

A produção de um texto requer muito mais que simplesmente expressar algumas ideias num papel. Primeiro, é preciso ter amplo conhecimento linguístico e depois saber organizá-lo, utilizando de técnicas específicas de estruturação de palavras e pensamentos, a fim de conferir-lhe qualidade e sentido.

Para abordar esse tema, em toda sua complexidade, Leonor Lopes Fávero, doutora em linguística e considerada uma das maiores especialistas da língua portuguesa no Brasil, propõe, em seu livro, “Coesão e Coerência Textuais” uma reflexão acerca do assunto. A partir do segundo capítulo, questiona se há ou não distinção entre coesão e coerência, à medida que parafraseia alguns teóricos, com seus respectivos pontos de vista, para então dar fundamento à sua fala.

Segundo Halliday e Hasan (apud FÁVERO, 2003), o que caracteriza um texto são as ligações coesivas entre os enunciados e que essas ligações sejam suficientes para conferir textualidade, através de fatores que eles classificam como lexicais e gramaticais. Em suma, não distinguem coesão e coerência. Marcushi (apud FÁVERO, 2003) não impõe classificação, mas segue a linha proposta por Beaugrande e Dressler (apud FÁVERO, 2003) que analisam ambos os elementos em níveis distintos. Para eles, a coesão manifestada no aspecto microtextual, ou seja, expressada pelos fragmentos das informações, interliga as palavras dentro de uma sequência. Já a coerência manifestada do ponto macrotextual seria o resultado de processos compreensivos ativos referindo-se a união destes fragmentos e estabelecendo um enunciado contínuo.

Com tantos mecanismos considerados, a autora aborda do quarto ao sétimo capítulo três tipos de reclassificação para a coesão: referencial, recorrencial e sequencial que são prontamente exemplificadas através de diversos textos de escritores como Drummond, Ziraldo e João Cabral Neto, que segundo ela, expressam bem as noções colocadas.

 Na referencial, ­ tem-se o exemplo: “... o bruxo de Cosme Velho continua vivo entre nós.” O autor está referenciando Machado de Assis e a cidade em que ele morou. A compreensão desta sentença obtém-se de modo extratextual ou exofórico, ou seja, através da cultura e não do conhecimento da língua. Já nestes outros enunciados: “Tenho um automóvel. Ele é verde” e “Ele era tão bom, o meu marido!”, tem-se respectivamente anáfora e catáfora, que significam retomada e sucessão de um marcador linguístico, conferindo modo endofórico de coesão referencial.

 Recorrencial é aquela em que a informação progride, dá ênfase e intensifica a mensagem, seja através da repetição de termos, recorrência de estruturas ou recursos fonológicos. Como é possível observar nos seguintes enunciados: “Irene preta, Irene boa, Irene sempre de bom humor...” e “ Se você fizer isto, então...” . Já a sequencial difere da anterior por não retomar itens nas sentenças e ocorre por sequenciação temporal e por conexão, a exemplo: “Vim, vi e venci” e “Há vagas para moças e/ou rapazes”.

Em seguida, a especialista refaz a discussão a respeito da coerência. Retoma a proposta de Beaugrande e Dressler (apud FÁVERO, 2003) quanto aos dois tipos de conhecimento que a ela estão associados: o declarativo, que é dado pelas sentenças e que está armazenado na memória semântica e o procedimental, determinado pela experiência e armazenado na memória episódica.

Nesta investigação, Fávero examina, no nono capítulo, os “Modelos Cognitivos Globais” ou blocos de conhecimento prévio que cada pessoa utiliza no processo de comunicação. São eles: os frames, esquemas, planos, scripts e cenários e as “Superestruturas”, que segundo Van Dijk (apud FÁVERO, 2003) é “a forma global de um texto, descrita em termos de categorias e regras de formação”, que seriam: narrativo, argumentativo e descritivo. Com isso, a autora conclui que a compreensão não está somente no fator linguístico, mas ultrapassa a palavra, ao passo que o leitor detém conhecimento prévio acerca do mundo e dos acontecimentos facilitando o processo de intelecção e, portanto, captação da mensagem.

A partir dessas considerações, percebe-se que a autora se preocupou com a exposição dos itens abordados, tendo em vista a difícil linguagem resenhada, sugerindo mais de uma leitura. Assim, sua obra é destinada a um público atento, o qual procura agregar conhecimentos intelectuais à sua rotina. Porém, admite ser distinta e complexa a análise de “Coesão e Coerência Textuais”, necessitando de uma interpretação minuciosa, mas de fácil entendimento para os praticantes da leitura.
 
 

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